Tipos de radar: como funciona cada um

Pilotagem e rolês · 5 min de leitura · Atualizado em 22/10/2026

Quem pilota sabe: o radar aparece do nada, você olha o painel e já passou. Entender como cada tipo funciona não é para escapar de multa. É para saber o que a lei exige do equipamento, onde ele costuma estar e por que o limite daquele trecho existe.

Resposta curta

Pela Resolução 798/2020 do Contran, os medidores de velocidade são de dois tipos: fixo (o controlador, que fiscaliza o limite da via, e o redutor, a "lombada eletrônica" com display) e portátil (em tripé, viatura parada ou na mão do agente). Todo radar precisa ter registro de imagem, aprovação do Inmetro e verificação pelo menos a cada 12 meses. Os fixos precisam de placa de limite (R-19) antes e junto do equipamento. O jeito certo de lidar com qualquer um deles é o mesmo: respeitar o limite o trecho inteiro.

O que a regra exige de todo radar

A Resolução 798/2020 do Contran (alterada pela 804/2020) define o mínimo para que uma medição de velocidade valha como multa:

  • Registro de imagem que comprove a infração. Sem foto, não há autuação por excesso de velocidade.
  • Modelo aprovado pelo Inmetro e verificação metrológica com periodicidade mínima de 12 meses.
  • Registro da velocidade em km/h, da posição do equipamento e leitura automática da placa.
  • Publicidade: o órgão de trânsito deve divulgar no site a relação dos medidores da sua área, com tipo e, no caso dos fixos, o local.

A velocidade que vale não é a que o radar mediu

A regra manda descontar a margem de erro do equipamento. Pela tabela da própria resolução, o desconto é de 7 km/h para velocidades medidas até 100 km/h e de 7% acima disso. O que vai para a multa é a velocidade "considerada", já com esse desconto. Isso não é folga: é a incerteza do aparelho.

Radar fixo: controlador e redutor

O fixo fica instalado em um lugar definido, de forma duradoura. A resolução separa dois usos.

Controlador

É o radar comum, em poste ou pórtico, que fiscaliza o limite da via ou de um ponto dela. Para instalar, o órgão faz um levantamento técnico do local, refeito a cada dois anos e sempre que o limite ou a via mudarem.

Redutor (a "lombada eletrônica")

Fiscaliza uma redução pontual de velocidade em trecho crítico: muitos acidentes, travessia de pedestres, escola, ciclistas. É obrigatório ter display mostrando a sua velocidade. Aqui o órgão precisa de estudo técnico anual que justifique a redução.

Placa R-19 antes do radar fixo (Anexo IV da Resolução 798)

Limite da viaVia urbanaVia rural
80 km/h ou mais400 a 500 m antes1.000 a 2.000 m antes
Abaixo de 80 km/h100 a 300 m antes300 a 1.000 m antes

Além disso, deve haver placa R-19 junto ao próprio equipamento, e o radar fixo não pode ser escondido em árvore, marquise, passarela ou poste de modo não ostensivo.

Radar portátil

É o aparelho operado por agente de trânsito uniformizado: em tripé, em suporte, na mão ou dentro de viatura caracterizada estacionada. A resolução limita bastante onde ele pode ser usado:

  • Em via urbana, só onde o limite é de 60 km/h ou mais.
  • Em rodovia, só com limite de 80 km/h ou mais; em estrada (via rural não pavimentada), 60 km/h ou mais.
  • Longe de radar fixo: pelo menos 500 m em via urbana e 2.000 m nos demais trechos de via rural.
  • De forma ostensiva: sem placa, árvore, poste ou viaduto escondendo o aparelho ou o agente.
  • O órgão deve publicar no site os trechos onde pode fiscalizar com portátil.

Radar de semáforo e radar de trecho

Semáforo

São câmeras que flagram quem avança o sinal vermelho (infração gravíssima, art. 208 do CTB) ou para sobre a faixa de pedestres na mudança do sinal (média, art. 183). Muitos equipamentos em cruzamento fazem as duas coisas: medem velocidade e vigiam o vermelho. Na moto, o perigo real não é a multa: é o carro que vem do lado achando que dá tempo.

Trecho (velocidade média)

Dois pontos identificam o veículo e calculam a velocidade média entre eles. Já houve testes em rodovias e cidades brasileiras, mas até a data deste artigo não encontramos uma regra nacional do Contran que permita multar pela média. Cada ponto, porém, pode ser um radar comum e multar normalmente. Na dúvida, a resposta é a mesma: ande no limite o trecho todo.

Atenção

Frear forte em cima do radar e acelerar logo depois é perigoso, principalmente de moto: quem vem atrás não espera a freada. E usar aparelho anti-radar é infração gravíssima (art. 230, III, do CTB). O limite existe por causa do trecho, não do equipamento.

Por que saber onde está o radar ajuda a pilotar melhor

Radar fixo costuma estar onde a via pede mais cuidado: cruzamento movimentado, travessia, curva com histórico de acidente, descida longa. Saber que ele vem à frente é, na prática, um aviso de que aquele ponto merece atenção. Para entender o que acontece quando o limite é ultrapassado, veja Multa por excesso de velocidade.

Na MOTRACE, a rota até o destino mostra o limite da via e avisa antes dos radares de velocidade, de semáforo e de trecho do seu caminho, sem você precisar tocar na tela. A ideia é simples: você chega no ponto já dentro do limite, sem susto e sem freada.

Na prática, o que fazer agora

  • Olhe as placas R-19: o limite vale o trecho inteiro, não só em frente ao radar.
  • Em cruzamento com câmera, não acelere no amarelo. Reduza e pare antes da faixa.
  • Na moto, mantenha distância de quem vai à frente perto de radar: muita gente freia em cima dele.
  • Se receber uma notificação, confira se ela traz velocidade medida, velocidade considerada, local, data e a última verificação do Inmetro. Esses dados são obrigatórios.
  • Quer ver a lista oficial? Procure no site do órgão responsável pela via (Detran, prefeitura, DNIT ou concessionária).

Próxima leitura

Conteúdo informativo, escrito por motociclistas. Confira sempre o manual da sua moto, a oficina de confiança e as regras do Detran do seu estado.